quinta-feira, 14 de maio de 2015

Deus endureceu o coração de faraó?

“Eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo” (Êxodo 4:21).

Não houve o exercício de poder sobrenatural para endurecer o coração do rei. Deus deu a Faraó a mais notável prova do poder divino; mas o rei obstinadamente se recusou a atender à luz. Cada manifestação do poder infinito, por ele rejeitada, tornava-o mais resoluto em sua rebelião. As sementes de rebelião que semeara quando rejeitou o primeiro prodígio, produziram a sua colheita. Como ele continuasse a aventurar-se em sua conduta, indo de um grau de teimosia a outro, seu coração se tornou mais e mais endurecido, até que ele foi chamado para olhar o rosto frio e morto dos primogênitos.

Deus fala aos homens por meio de Seus servos, dando avisos e advertências, e repreendendo o pecado. Dá a cada um oportunidade para corrigir seus erros antes que eles se fixem no caráter; mas, se alguém recusa ser corrigido, o poder divino não intervém a fim de contrariar a tendência de sua ação. Essa pessoa acha mais fácil repetir a mesma conduta. Está a endurecer o coração contra a influência do Espírito Santo. Nova rejeição da luz a coloca onde uma influência muito mais forte será ineficaz para produzir uma impressão duradoura.

Aquele que cedeu uma vez à tentação, cederá mais facilmente segunda vez. Cada repetição do pecado diminui seu poder de resistência, cega os seus olhos, e suprime a convicção. Cada semente de condescendência, que é semeada, produzirá fruto. Deus não opera milagre para impedir a ceifa. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Aquele que manifesta dura incredulidade, uma obstinada indiferença à verdade divina, não está senão a colher o fruto do que ele próprio semeou. É assim que multidões vêm a escutar, com rígida indiferença, verdades que outrora lhes abalavam a própria alma. Semearam negligência e resistência à verdade, e tal é a colheita que fazem.

Aqueles que estão a acalmar a consciência culpada, com o pensamento de que podem modificar um caminho de males quando o desejarem, de que podem ter em pouca conta os convites de misericórdia, e ser contudo repetidas vezes impressionados, seguem tal caminho com perigo para si. Acham que depois de lançarem toda a sua influência ao lado do grande rebelde, em momento de maior angústia, quando o perigo os rodeia, mudarão de chefes. Mas isto não se faz tão facilmente. A experiência, a educação, a disciplina de uma vida de satisfação pecaminosa, tão completamente modelaram o caráter que não podem então receber a imagem de Jesus. Se nenhuma luz lhes houvesse mostrado o caminho, o caso teria sido diferente. A misericórdia poderia interpor-se, e dar-lhes oportunidade de aceitar suas providências; mas, depois que durante muito tempo a luz foi rejeitada e desprezada, será enfim retirada.

Ellen G. White. Patriarcas e Profetas, p. 186-187


P.S.: É comum na escrita dos hebreus registrar Yahweh executando algo que Ele apenas permitiu acontecer.