sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Inimizade divina no coração

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu Lhe ferirás o calcanhar." (Gênesis 3:15)

Adão e Eva se achavam como criminosos diante de seu Deus, aguardando a sentença, que a transgressão atraíra sobre eles. Antes, porém, de ouvirem falar nos cardos e espinhos, na dor e na angústia que lhes caberia em quinhão, e do pó a que deveriam voltar, escutaram palavras que lhes deviam inspirar esperança. Se bem que sofressem do poder de seu adversário, poderiam aguardar no futuro a vitória final.

Deus declara: “Porei inimizade” (Gênesis 3:15). Esta inimizade é sobrenaturalmente posta, e não naturalmente entretida. Quando o homem pecou sua natureza tornou-se má, e ele estava em harmonia, não em discordância com Satanás.

O orgulhoso usurpador, conseguindo seduzir nossos primeiros pais como o havia feito aos anjos, contava haver assegurado a sua união e cooperação em todos os seus empreendimentos contra o governo do Céu. [...] Mas quando Satanás ouviu que a semente da mulher havia de esmagar a cabeça da serpente, conheceu que, embora ele houvesse tido êxito em depravar a natureza humana, e assimilá-la a sua própria, todavia, por algum misterioso processo, Deus havia de restaurar ao homem o poder perdido, e habilitá-lo a resistir a seu vencedor e vencê-lo.

É a graça implantada por Cristo na vida que cria a inimizade contra Satanás. Sem essa, graça, o homem continuaria cativo de Satanás, servo sempre pronto a lhe cumprir as ordens. O novo princípio na alma cria conflito onde até então reinava a paz. O poder que Cristo comunica, habilita o homem a resistir ao tirano e usurpador. Sempre que se vê um homem aborrecer o pecado em vez de amá-lo, quando ele resiste àquelas paixões que exerciam domínio interior e as vence, vê-se aí a operação de um princípio inteiramente de cima. O Espírito Santo precisa ser continuamente comunicado ao homem, do contrário ele não tem disposição de contender com os poderes das trevas.

Não aceitaremos nós a inimizade que Cristo implantou entre o homem e a serpente? [...] Temos o direito de dizer: Na força de Jesus Cristo serei vencedor. Não serei vencido pelas maquinações do inimigo. 

— Ellen G. White. Para Conhecê-Lo, p. 11