quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Silas Daniel - A praga do antinomianismo

Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo
Uma das maiores pragas a grassar o meio evangélico em nossos dias é o antinomianismo. O que vem a ser isso? Antinomianismo é a negação da importância dos mandamentos divinos para a vida do cristão. É o extremo oposto do legalismo. É o que o apóstolo Judas denominou, na Epístola que leva o seu nome, de “transformar em libertinagem a graça de Deus” (Jd v4).

O antinomianismo foi combatido por Jesus (Mt 7.15-27; Jo 14.15; 15.10,14) e pelos apóstolos – além de Judas, já mencionado, Paulo (Rm 3.31; Rm 6; Cl 3), Pedro (2Pe 2), Tiago (Tg 2.14-26) e João, em sua Primeira Epístola, combateram essa heresia. Aliás, João assevera explicitamente que escreveu sua primeira missiva para combater a influência de duas heresias gnósticas de seu tempo, a saber: a negação da divindade de Cristo e a prática do antinomianismo (1Jo 5.13).

Refletindo sobre o evangelicalismo de nossos dias no Ocidente, percebemos, infelizmente, que a influência da mentalidade pós-moderna sobre boa parte dos cristãos de hoje tem levado muitos a confundirem obediência aos mandamentos divinos com legalismo e graça com ausência de normas de conduta. Trata-se de uma torção absurda de significados.

Legalismo é, de forma geral e à luz da Bíblia, a ideia de justificação pelas obras, a fixação imprópria de regras de conduta como necessidades para Salvação e a negligência ou ignorância em relação à graça de Deus. Porém, para alguns cristãos pós-modernos, legalismo não é isso. Legalismo, imaginam, é qualquer tipo de exortação concernente à conduta moral. Por isso, para eles, “é proibido proibir”. Porém, o Novo Testamento está repleto de passagens que condenam contundentemente uma série de comportamentos (Mt 5.28-29; Sl 101.3; 1Jo 2.15-17; 2Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1Pe 2.11). E se cristãos pós-modernos costumam generalizar dizendo que “tudo depende da consciência da pessoa”, a Bíblia demonstra que nem tudo é questão de consciência (Gl 5.19-25).

Olhando para o nosso país hoje, justamente por essa distorção, o vertiginoso crescimento evangélico brasileiro não é de todo alentador, já que em muitos lugares o que se vê é um cristianismo meramente nominal, influenciado pela cultura pós-moderna. São pessoas que se declaram de Deus, seguidoras de Jesus, mas cujo comportamento se choca frontalmente com os mandamentos divinos e não acham isso absolutamente nada demais. Dizem que são de Deus, mas não estão interessadas em nenhum compromisso com Seus mandamentos. Sua visão de Deus se dá apenas em termos utilitaristas ou na forma de uma “muleta” psicológica. No primeiro caso, objetivam de Deus somente bênçãos materiais e físicas (a bênção de Deus acima do Deus da bênção), fazendo de Deus o meio para um fim e não um fim em si mesmo; no segundo, tratam-nO apenas como um ser preocupado em estimular seus egos, que está disposto a diariamente ser usado por meio de palavras e gestos diários para inflar a auto-estima delas sem se “intrometer” na forma como desejam conduzir as suas vidas. Enfim, acham que Evangelho é sinônimo de auto-ajuda, nada mais.

Não nos iludamos: para ser verdadeiramente cristão, seguidor de Cristo, filho de Deus, alguém de Deus, não basta a pessoa ter apenas uma confissão de fé em Jesus. Aliás, mesmo que a pessoa tenha uma confissão de fé integralmente ortodoxa, não basta isso para ser considerada uma cristã verdadeira. Conforme o apóstolo João em sua Primeira Epístola, as evidências da verdadeira fé cristã, além de crer em Jesus como Filho de Deus (isto é, na deidade de Jesus; e crer nEle como o Cristo, isto é, o Messias – 5.1,5-12,20 –, pois aquele que não aceita Jesus como Filho de Deus não tem a vida – 5.12), são:


  1. Viver segundo os mandamentos divinos (2.3-6).
  2. Amar seu irmão e praticar esse amor (2.9; 3.10; 5.1).
  3. Não viver na prática do pecado, mas buscar sempre e constantemente viver uma vida de santidade (3.2,3; 5.18).
  4. Não amar o mundo e seu estilo de vida (2.15-17).

Segundo o crivo bíblico, quem não vive dessa forma não pode ser chamado de alguém “de Deus”. A graça de Deus não nos libera da obrigação de obedecer às leis morais de Deus. A graça não é uma licença para a desobediência, mas a porta que Deus nos abre para a possibilidade de vivermos uma vida santa diante dEle.

A Nova Aliança inclui mandamentos, determinações, ou seja, a lei moral. Jesus, e não Moisés, disse: “Se me amardes, obedecereis os meus mandamentos” (Jo 14.15). E mais: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (Jo 14.21).

Em seu Sermão da Montanha, Jesus adverte-nos contra a ideia de que Ele estaria defendendo o antinomianismo. Cristo faz questão de esclarecer que nem negligenciava nem destruía a Lei, e nem tinha o intento de destruir a Lei posteriormente ao cumpri-la toda: “Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um desses mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mt 5.17-19).

O que, então, foi abolido da Lei por meio de Cristo? Quando Jesus cumpriu a Lei, foram abolidas as leis cerimoniais, que apontavam para o sacrifício de Cristo, e as leis regimentares. A lei moral, ou seja, o aspecto moral da Lei, permanece no Novo Testamento. E a questão da “maldição da Lei”, de que fala Paulo? Ela diz respeito às sanções punitivas a que estamos sujeitos por não podermos cumprir toda a Lei. Ao cumprir as exigências da Lei para nós, Cristo removeu a maldição da Lei para longe de nós, e não a Lei, isto é, os mandamentos morais de Deus para as nossas vidas. A graça de Deus não é chancela para a anarquia. Os mandamentos de Deus devem ser vividos, mas agora, como filhos de Deus, não mais como um peso.
Enfim, não somos salvos por obedecer aos mandamentos divinos, mas somos salvos para vivermos segundo os mandamentos divinos. Não somos salvos para viver licenciosamente, mas para viver uma nova vida em Cristo. Portanto, fora com o antinomianismo.

— Silas Daniel. A praga do antinomianismo. CPAD News, 21 jul. 2010. Disponível em: <http://www.cpadnews.com.br/blog/silasdaniel/?POST_1_7_A+PRAGA+DO+ANTINOMIANISMO.html> Acesso em: 14 nov. 2013. [ênfase acrescentada]

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NOTA:
O texto que você acabou de ler é bastante comum para um adventista do sétimo dia, todavia, na descrição do site onde retirei na íntegra esta maravilhosa explicação, apresenta a descrição do autor do texto:


Não quis nem transcrever, preferi copiar e colar a tela. O irmão em Cristo Jesus é pastor da igreja Assembleia de Deus e jornalista da editora Casa Publicadora Assembleia de Deus (CPAD). Temo e tremo diante da obra silenciosa e maravilhosa do Espírito Santo sobre a igreja invisível de Cristo na Terra. As palavras do Senhor Jesus estão se cumprindo em nossos dias:
"Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco. É necessário que Eu as conduza também. Elas ouvirão a Minha voz, e haverá um só rebanho e um só Pastor." (João 10:10)