domingo, 15 de setembro de 2013

Salmo 38 e o sofrimento humano

"Ó SENHOR, não me repreendas na Tua ira, nem me castigues no Teu furor. Porque as Tuas flechas se cravaram em mim, e a Tua mão sobre mim desceu. Não há coisa sã na minha carne, por causa da Tua cólera; nem há paz em meus ossos, por causa do meu pecado." (Salmos 38:1-3 ARC)
O salmista sente que seu sofrimento é uma punição por seus pecados. Todo sofrimento é resultado da entrada do pecado no universo e, muitas vezes, o sofrimento pessoal é resultado direto de atos errados. "Aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7). Deus não faz um milagre para impedir que o ser humano sofra as consequências de violar as leis da natureza [no cuidado com seu corpo, por exemplo] (Conselhos Sobre Regime Alimentar, p. 29). Se fossem protegidos dos resultados desastrosos de se praticar o mal, os pecadores se sentiriam encorajados na iniquidade.

Porém, nem todo sofrimento é resultado direto do pecado pessoal da parte do sofredor. Antigamente, muitos consideravam que toda aflição era castigo de algum erro, fosse do sofredor ou de seus pais. Julgavam o grau de culpabilidade pela intensidade de sofrimento.
"Satanás, o autor do pecado e de todas as suas consequências, levara os homens a considerar a doença e a morte como procedentes de Deus - como castigos arbitrariamente infligidos por causa do pecado." (O Desejado de Todas as Nações, p. 471).
Por causa dessa compreensão errônea, consideravam que o Pai celestial era um severo e exigente executor da justiça. Muitos cristãos tem o mesmo conceito errôneo. A despeito das lições do livro de Jó e dos ensinamentos de Cristo (Lc 13:16; At 10:38; 1Co 5:5; 2Co 12:7), esses cristãos consideram Deus como o causador da enfermidade. Eis a verdadeira filosofia do sofrimento: 
"O sofrimento é infligido por Satanás, mas Deus predomina sobre ele para fins misericordiosos." (O Desejado de Todas as Nações, p. 471)
A razão por que Deus nem sempre protege Seus filhos da enfermidade e do sofrimento é que se fizesse isso, Satanás O acusaria como fez no relato do livro de Jó. Satanás afirmou que Deus era injusto, pois havia cercado com sebe Seu servo (Jó 1:10). Deus deve dar a Satanás a oportunidade de afligir os justos, para que no fim seja provado que todas as acusações de injustiça não possuem fundamento.

Assim, o sofredor pode encontrar conforto na ideia que , embora um "mensageiro de Satanás" o esbofeteie (2Co 12:7), Deus está no controle para fins misericordiosos e fará com que a aflição se transforme em bençãos (Rm 8:28).

(Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 3, p. 817)