domingo, 8 de setembro de 2013

[Comentário Bíblico] Salmos 32:1-2: Arrependimento, confissão e perdão dos pecados

"Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada e cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR [lit. Yahweh] não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano." (Salmos 32:1-2)

O Salmo 32 é de arrependimento. Ele une arrependimento pessoal com instrução. O poema tem o profundo propósito de mostrar as bênçãos do perdão. Foi escrito depois de Davi ter cometido o grave pecado com Bate-Seba e é um registro de sua confissão e do perdão obtido (capítulos 11 e 12 de 2 Samuel). Os versos 1-5 tratam da experiência pessoal de Davi; e os versos 6-11 dão conselhos. Afirma-se que este salmo foi um dos favoritos de Agostinho até sua morte. O teólogo tinha o salmo escrito na parede, para que o pudesse ver desde seu leito onde se encontrava enfermo.
 
O salmista usa três palavras para descrever o pecado nos versos 1 e 2: iniquidade (ARA) ou transgressão (ARC), pecado (ARA e ARC) e dolo (ARA) ou engano (ARC). Além disso, o salmista toca no tema da justificação pela fé.
 
A palavra iniquidade (ARA) ou transgressão (ARC) vem do hebraico pesha', que indica rebelião, afastamento de Deus, e, portanto, implica em pecado voluntário, ou seja, cometeu o erro ciente inicialmente que estava indo rumo a ele. A palavra pecado (ARA e ARC) vem do hebraico chata'ah e significa errar o alvo, ou seja, falhar no cumprimento do dever.
 
Quando o salmista diz que "Bem-aventurado aquele [...] cujo pecado é coberto" (v. 1), está dizendo que o pecado não será mais posto diante do pecador (ver Salmo 85:2). A transgressão não é coberta no sentido de ser ignorada. Há apenas uma base para o perdão do pecado: arrependimento. A confissão tem valor somente quando é acompanhada de arrependimento.
 
"Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." (1 João 1:9)

 
Alguns cristãos confundem os dois processos e reivindicam o perdão com base apenas no reconhecimento da culpa. No entanto, Deus está interessado nos aspectos práticos do caso. Além da tristeza por ter pecado, o arrependimento inclui expulsar o pecado. Essa expulsão é ato da própria pessoa fortalecida pelo poder divino. O perdão acontece de forma automática após essa experiência. Deus perdoa todos os pecados que são eliminados da vida.
 
Muitos cristãos parecem estar mais preocupados em obter perdão do que em libertar-se de todo pecado. Eles se esforçam para confessar os pecados, um objetivo nobre, mas que tem mérito apenas se a confissão for acompanhada da eliminação do pecado.
 
"A justiça de Cristo não encobrirá pecado algum acariciado." (Ellen G. White. Parábolas de Jesus, p. 316)

 
Antes que esse precioso dom seja concedido, as velhas inclinações para o mal herdado e cultivado devem ser rejeitadas. Essa foi a experiência de Davi. Foi assim que ele obteve perdão para seu grave pecado. Seu arrependimento foi genuíno. Ele chegou a abominar o pecado do qual foi culpado.
 
Quando o salmista diz "a quem o SENHOR não atribui iniquidade" (v. 2), significa que Deus não mantém o pecado na conta do pecador. Ele não só perdoa o pecado, mas também aceita o pecador arrependido como se nunca tivesse pecado. O pecado foi posto sobre Jesus, nosso substituto, e, portanto
"não devemos estar ansiosos acerca do que Cristo e Deus pensam de nós, mas do que Deus pensa de Cristo, nosso Substituto." (Ellen G. White. GCB, 23/04/1901, p. 420; Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 32-33).
(Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, v. 3, p. 795)