quinta-feira, 18 de julho de 2013

Fé verdadeira x Fé falsa

As maiores vitórias obtidas em favor da causa de Deus, não são o resultado de elaborados argumentos, amplos recursos, vasta influência, ou abundância de meios; elas são alcançadas na câmara de audiência com Deus, quando, com sincera e angustiosa fé, os homens se apegam ao forte braço do poder.

A verdadeira fé, a oração verdadeira, quão fortes são! São como dois braços por meio dos quais o suplicante humano se apodera do poder do infinito Amor. Fé é confiança em Deus — acreditar que Ele nos ama e sabe o que é melhor para nós. Assim, em lugar de nossos próprios caminhos, ela nos leva a preferir os Seus. Em vez de nossa ignorância, aceita Sua sabedoria; em lugar de nossa fraqueza, Sua força; em lugar de nossa pecaminosidade, sua justiça. Nossa vida, nós mesmos, pertence-lhe já; a fé reconhece-lhe o direito de propriedade, e aceita as bênçãos do mesmo. A verdade, a retidão, a pureza, são indicadas como segredos do sucesso da vida. É a fé que nos leva à posse delas. Todo bom impulso ou aspiração é dom de Deus; a fé recebe dEle a vida que, unicamente, pode produzir o verdadeiro crescimento e eficiência.

“E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé.” (1 João 5:4). 
É a fé que nos habilita a ver para além do presente, com seus fardos e cuidados, ao grande porvir em que tudo quanto nos traz agora perplexidade, será esclarecido. A fé vê Cristo posto como nosso Mediador, à destra de Deus. A fé contempla as mansões que Cristo foi preparar para aqueles que O amam. A fé vê as vestes e a coroa preparadas para o vencedor, e escuta o cântico dos remidos.

A fé perfeita, a entrega do próprio eu a Deus, a singela confiança em Sua palavra empenhada, deve constituir uma parte da experiência de todo ministro. Apenas quando possui essa experiência, pode um ministro tornar claro o assunto da fé ao duvidoso e falto de confiança.

Fé não é sentimento. 
“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.” (Hebreus 11:1). 
A verdadeira fé não se acha de maneira alguma aliada à presunção. Somente aquele que tem a verdadeira fé, está seguro contra a presunção, pois esta é a falsa fé de Satanás.

A fé reclama as promessas de Deus, e produz frutos de obediência. A presunção também reclama as promessas, mas delas se serve, como fez Satanás, para desculpar a transgressão. A fé teria levado nossos primeiros pais a confiar no amor de Deus, e a obedecer aos Seus mandamentos. A presunção os induziu a transgredir Sua lei, acreditando que Seu grande amor os haveria de salvar das conseqüências do pecado. Não é fé o que reclama o favor do Céu sem cumprir as condições sob as quais é assegurada a misericórdia. A fé genuína tem seu fundamento nas promessas e medidas das Escrituras.

Falar acidentalmente de religião, orar sem fome de alma e fé viva, de nada aproveita. Uma fé nominal em Cristo, que O aceita apenas como Salvador do mundo, não poderá nunca trazer cura à alma. A fé que é para salvação não é uma simples aquiescência intelectual com a verdade. O que espera por inteiro conhecimento para que possa exercer a fé, não pode receber bênção de Deus.

Não é bastante crer a respeito de Cristo; precisamos crer nEle. A única fé que nos beneficiará, é a que O abraça como um Salvador pessoal; a que aplica a nós mesmos os Seus méritos. Muitos consideram a fé como uma opinião. Mas a fé salvadora é uma transação, mediante a qual, os que recebem Cristo se ligam em concerto com Deus. A fé genuína é vida. Uma fé viva quer dizer aumento de vigor, uma firme confiança, por meio da qual a alma se torna uma potência vitoriosa.

(Ellen G. White. Obreiros Evangélicos, p. 259-261)