sexta-feira, 7 de junho de 2013

O valor da pregação no plano de Deus

Analisemos um texto do apóstolo Paulo onde ele declara ser impossível alguém se salvar se não houver quem pregue. Ele escreveu:
“Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas boas!” (Romanos 10:13-15).
Encontramos aqui uma sequência de passos, na forma de escada, cujo topo é a salvação e cujos degraus básicos são o envio de mensageiros e sua pregação, observe:
1.      Mensageiros são enviados.
2.      Mensageiros pregam.
3.      Pessoas ouvem.
4.      Pessoas creem.
5.      Pessoas invocam o nome do Senhor.
6.      Pessoas são salvas
Em outra de suas cartas o mesmo apóstolo declara:
“Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. (1 Coríntios 1:21).

A sabedoria humana é incapaz de chegar ao conhecimento de Deus, mas Yahweh se agradou em salvar aqueles que creem por meio da loucura da pregação. A pregação não salva, a salvação nos é concedida pela graça e obtida pela fé em Jesus, por isso Deus salva os que creem. Mas como crer? Através da pregação. Ela é o instrumento de salvação, pois leva a Palavra de Deus que é “viva e eficaz, e mais afiada que qualquer espada de dois gumes; ela penetra ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e julga os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). A pregação, embora desrespeitada e escarnecida por muitos, é o instrumento escolhido por Deus para que os homens creiam e sejam salvos.
Desde a antiguidade tem sido assim. O próprio Noé, não somente construiu a arca para salvação dos que cressem, mas, também foi “pregador da justiça” (2 Pedro 2:5) aos antediluvianos. A palavra traduzida para o português por “pregador” nesta passagem, em grego é keryks e era utilizado para alguém que clama publicamente, um instrutor da vontade divina, um arauto do evangelho de Jesus. Nas monarquias medievais, o arauto era um oficial importante do reino que fazia as publicações solenes, anunciava a guerra e proclamava a paz.
Os muitos profetas de Israel também foram pregadores. Isaías, referindo-se a sua pregação e à de todos os demais profetas, indagou: “Quem creu em nossa pregação?” (Isaías 53:1). Também é mencionado que os “ninivitas [...] se arrependeram com a pregação de Jonas” (Mateus 12:41). O profeta Zacarias, por sua vez, falando ao povo de seus dias perguntou: “Não ouvistes vós as palavras que o SENHOR pregou pelo ministério dos profetas que nos precederam [...]?” (Zacarias 7:7). Nas primeiras páginas do Novo Testamento encontramos “Naqueles dias, apareceu João Batista pregando no deserto da Judeia e dizia: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus.” (Mateus 3:1-2). Logo depois, o maior de todos eles: “[...] foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” (Marcos 1:14-15).
Na sinagoga de Nazaré, Jesus publicamente leu uma profecia de Isaías sobre Si mesmo a qual dizia: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Ele Me ungiu para pregar boas novas aos pobres” (Lucas 4:18 NVI; ver Isaías 61:1), indicando que fora escolhido e capacitado por Deus para essa tarefa. A própria escolha dos discípulos tinha como propósito que eles, depois de aprenderem de Jesus, continuassem a obra da pregação. A esse respeito é dito que Ele “designou doze para estarem com Ele e para os enviar a pregar e a exercer a autoridade de expelir demônios.” (Marcos 3:14-15). Pedro, referindo-se à missão que o grupo apostólico recebera do Senhor, asseverou que Ele “nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos” (Atos 10:42).
Na igreja apostólica a pregação era uma atividade prioritária. As curas, os milagres e outras ações específicas eram acompanhantes da pregação e tinham como objetivo chamar a atenção para ela, despertando o interesse ou confirmando-a como procedente do Céu.
“E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam.” (Marcos 16:20).
Essa igreja chegou a ser tentada a relegar a pregação a um plano secundário a fim de priorizar outra atividade nobre e necessária – a de cuidar dos pobres – contudo, sob a orientação do Espírito Santo não cedeu (Atos 6:1-7).
Convém lembrar que existem outras agências (hospitais, escolas, governo, ONGs, entidades de assistência social e filantrópica etc.) que podem resolver ou minimizar muitos dos problemas da humanidade. Mas nenhuma delas pode cuidar da dificuldade primária e fundamental do homem: sua reconciliação com Deus – apontando a verdadeira necessidade e oferecendo o único remédio. Essa tarefa pertence unicamente à igreja. Assim, ela não é uma agência competindo com outras agências, mas uma instituição especial e especialista, com uma missão que só ela pode realizar: a pregação do evangelho. Sobre a importância da igreja, Ellen G. White comenta:
“A igreja é o instrumento apontado por Deus para a salvação dos homens. Foi organizada para servir e sua missão é levar o evangelho ao mundo. Desde o princípio, tem sido plano de Deus que, através de Sua igreja, seja refletida para o mundo Sua plenitude e suficiência. Aos membros da igreja, a quem Ele chamou das trevas para Sua maravilhosa luz, compete manifestar Sua glória.” (Atos dos Apóstolos, p. 1)
Quando a primeira geração de cristãos estava desaparecendo e o apóstolo Paulo pressentiu que seu próprio fim se aproximava, escreveu uma última carta ao jovem pastor Timóteo, um dos muitos a quem educara e treinara para o ministério, e que, sem dúvida, seria um dos novos líderes. Depois de lembrar-lhe que desde a infância conhecia as Escrituras e como elas tem sua origem em Deus e podem conduzir a salvação pela fé em Cristo, ordenou-lhe que continuasse a tarefa da pregação. Suas palavras foram:
“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina.” (2 Timóteo 4:1-2).
Ao encerrar sua carreira, o apóstolo tinha tal preocupação com o futuro do reino de Deus na Terra que, utilizando uma linguagem bastante vigorosa, colocou Timóteo sob juramento, tendo a Deus e Cristo como testemunhas de que ele havia de continuar a pregação da Palavra de Deus. Essa injunção tem sido válida para os pastores e pregadores de todas as épocas.
O amado João, por sua vez, teve o privilégio de contemplar, em visões, o futuro da igreja até o fim dos tempos, e a viu concluindo sua missão, imediatamente antes do retorno do Senhor Jesus. Ele disse:
“Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Apocalipse 14:6-7).
Esse anjo, bem como os outros dois que logo o acompanham (v. 8-11), representa o povo de Deus a anunciar o evangelho de Jesus Cristo a toda humanidade. João contemplou a igreja pregando e vivendo o evangelho. Finalmente, recordamos as palavras ditas pelo próprio Senhor Jesus:
“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim.” (Mateus 24:14).
Além deste texto servir como um grandioso incentivo para que continuemos a pregar o evangelho, ele também afirma que será pregado o evangelho a todo o mundo. O evangelho, a boa notícia, chegará a todo canto da Terra. Você consegue se maravilhar ao pensar que quando isso ocorrer Jesus virá para inaugurar Seu reino de glória?
(Emilson dos Reis. Como preparar e apresentar sermões, p. 10-13, 2003)