quinta-feira, 20 de junho de 2013

Hamã, Mordecai e o decreto de morte: Símbolos de um passado que se repetirá

O livro de Ester possui uma incrível narrativa de seres humanos atuando como colaboradores da libertação que Deus trouxe a Seu povo, exaltando pessoas simples e recompensando a fidelidade humana. Uma narrativa possui cenas e personagens no registro e a sequências dos personagens no livro de Ester é esta:
  1. Assuero (capítulo 1).
  2. Mordecai e Ester (capítulo 2).
  3. Hamã, o primeiro ministro de Assuero (capítulo 3).

Hamã, segundo a tradição judaica (Targum Sheni e Josefo Antiguidades, xi. 6.5), era descendente direto de Agague, rei dos amalequitas. Aquele mesmo que Saul trouxe vivo a Israel, contrariando a ordem de Deus e que Samuel pessoalmente o matou (1 Samuel 15:7-33).

Entenda os fatos:
"Todos os servos do rei, que estavam à porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha ordenado o rei [Xerxes] a respeito dele. Mordecai, porém, não se inclinava, nem se prostrava. [...] Vendo, pois, Hamã que Mordecai não se inclinava, nem se prostrava diante dele, encheu-se de furor. Porém teve como pouco, nos seus propósitos, o atentar apenas contra Mordecai, porque lhe haviam declarado de que povo era Mordecai; por isso, procurou Hamã destruir todos os judeus, povo de Mordecai, que havia em todo o reino de Assuero." (Ester 3:2-6)



O ódio de Hamã começou com a atitude de Mordecai em recusar a se prostrar diante dele. Se prostrar era um ato que implicava submissão, lealdade e obediência. Mordecai tinha se recusado a prestar a reverência que considerava pertencer só a Deus. Mas Hamã transmitiu este seu ódio a todos os judeus. Isto pode ser explicado pela sua genealogia, pois seu povo havia sofrido penosas derrotas ao longo dos séculos para Israel (Êxodo 17; Juízes 7; 1 Samuel 14; 2 Samuel 1). Então surge o relato:

"Então, disse Hamã ao rei Assuero [ou Xerxes, nome grego]: Existe espalhado, disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino, um povo cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as do rei; pelo que não convém ao rei tolerá-lo. Se bem parecer ao rei, decrete-se que sejam mortos, [...]. Então, o rei tirou da mão o seu anel, deu-o a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus, e lhe disse: [...] [seja teu] esse povo, para fazeres dele o que melhor for de teu agrado." (Ester 3:8-11)
A Septuaginta (LXX), nome da versão da Bíblia hebraica para o grego koiné [língua popular], traduzida em etapas entre o terceiro e o primeiro século a.C. em Alexandria, insere uma cópia do que pretende ser uma carta escrita por Assuero. Embora a autenticidade dessa carta não esteja comprovada, é interessante a ligação feita com a comparação entre o decreto de Assuero contra os judeus e o que será emitido contra o povo de Deus no futuro. Veja abaixo esta carta na íntegra:

"O grande rei Assuero escreve estas coisas aos governadores das 127 províncias desde a Índia até a Etiópia, e aos funcionários que estão sujeitos a eles. Depois que me assenhoreei de muitas nações e dominei todo o mundo, sem ser presunçoso de minha autoridade, mas executando-a sempre com equidade e moderação, propus acomodar meus súditos continuamente em uma vida tranquila; e, tornando pacífico o meu reino, abrir passagem para os litorais mais distantes, para renovar a paz, o que é desejado por todos os homens.
Agora, quando perguntei a meus conselheiros como isso poderia ser realizado, Hamã, que se destacou em sabedoria entre nós, foi aprovado por sua boa vontade constante e firme fidelidade e teve a honra do segundo lugar no reino, declarou-nos que em todas as nações do mundo, espalhou-se certo povo maligno, que tinha leis contrárias a todas as nações e continuamente anula os mandamentos de reis, de modo que não pode ser estabelecida a união honrosamente pretendida por nós.
Considerando, pois, entendemos que somente esta nação está continuamente em oposição a todos os homens, seguindo em suas leis uma vida estrangeira e afetando negativamente nosso estado, trabalhando todo o mal que pode, para que o nosso reino não seja firmemente estabelecido; portanto, temos ordenado que os que são indicados por escrito a vós por Hamã, que está estabelecido sobre os negócios e é um segundo pai para vós, deverão ser totalmente destruídos pela espada de seus inimigos, com suas esposas e filhos, no dia catorze do duodécimo mês de adar do presente ano [8 de março de 473 a.C.], de modo que os antigos e novos também são mal-intencionados, desçam ao Hades [sepultura] em um dia com a violência, e assim, daqui em diante sempre nossos sejam bem resolvidos e sem problemas."

Ellen G. White nos adverte:
"Declarou o SENHOR que a história do passado se repetirá, ao começarmos a obra finalizadora [antes de Cristo voltar]." (A igreja remanescente, p. 41)

Há alguma base bíblica para esta declaração de Ellen G. White, especificamente relacionada a um decreto de morte sobre o povo de Deus? Sim. Em Apocalipse 13 observamos os seguintes detalhes:
  1. O dragão (Satanás) deu sua autoridade (anel) a besta que emergiu do mar (poder religioso de multidão).
  2. Recebeu autoridade sobre todo o reino: "cada tribo, povo, língua e nação" (v. 7).
  3. Ela possui uma multidão de adoradores (por isso saiu do "mar", que em profecia significa multidões), mas seus adoradores são aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida.
  4. No verso 15 declara que aquele que não adorar a besta que surgiu do mar (poder religioso) seria punido por uma outra besta (que surgiu da Terra) e que representa um poder político: "fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta".
Será uma adoração forçada, mas a maioria dos povos da Terra irão aceitar. Todavia, assim como os judeus no tempo de Mordecai, haverá um povo fiel a Deus que não se inclinará a poder religioso nenhum, somente obedecerá a Yahweh, Seu Cristo, nosso Redentor e os Seus mandamentos.

"O decreto que finalmente sairá contra o remanescente povo de Deus será muito semelhante ao que Assuero promulgou contra os judeus. Hoje os inimigos da verdadeira igreja vêem no pequeno grupo de guardadores do sábado, um Mardoqueu à porta. A reverência do povo de Deus por Sua lei, é uma constante repreensão aos que têm deixado o temor do Senhor, e estão pisando o Seu sábado. Vi então os principais homens da Terra consultando entre si, e Satanás e seus anjos ocupados em redor deles. Vi um escrito, exemplares do qual foram espalhados nas diferentes partes da Terra, dando ordens para que se concedesse ao povo liberdade para, depois de certo tempo, matar os santos, a menos que estes renunciassem sua fé peculiar, abandonassem o sábado e guardassem o primeiro dia da semana. Se o povo de Deus puser a confiança nEle, e pela fé se apegar ao Seu poder, os ardis de Satanás serão frustrados tão evidentemente em nosso tempo como nos dias de Mardoqueu." (Ellen G. White. Eventos Finais, p. 258-259).