quarta-feira, 24 de abril de 2013

Considerações sobre 2 Crônicas 6: Oração e confiança na Palavra de Deus


Hoje, ao realizar meu plano diário de estudo das Escrituras, o Espírito Santo me levou a contemplar com um pouco mais de profundidade a oração de dedicação de Salomão sobre o templo recém-construído que está registrada em 2 Crônicas 6. Os versos que me chamaram a atenção de forma especial foram estes:
"Quando pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles e os entregares às mãos do inimigo, a fim de que os leve cativos a uma terra, longe ou perto esteja; e na terra aonde forem levados caírem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos, e perversamente procedemos, e cometemos iniquidade; e se converterem a ti de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, para onde foram levados cativos, e orarem, voltados para a sua terra que deste a seus pais, para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome, ouve tu dos céus, do lugar da tua habitação, a sua prece e a sua súplica e faze-lhes justiça; perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti" (2 Cr 6:36-39).



I. PROMESSA CONDICIONAL

Primeiramente, é possível perceber que na mente de Salomão estava claro que as bençãos de Deus ao povo de Israel eram condicionais, ou seja, dependiam da obediência às leis de Deus e da fé em Sua justiça, base do Seu concerto com Seu povo eleito. Caso não cumprissem sua parte, Deus respeitaria a decisão do Seu povo, mas retiraria Sua mão protetora e o povo estaria, a partir dai, suscetível a derrota por seus inimigos, dor e sofrimento causada pelo distanciamento de Yahweh, pois Ele respeita o livre-arbítrio humano.

Com os cristãos não é diferente. A fé sem obras é morta. Logo, Jesus nos salvou para sermos obedientes e a obediência só é alcançada mediante a fé na justiça de Deus, pois é a graça de Cristo que nos justifica diante de Yahweh e assim, com as vestes de Jesus, podemos ser obedientes como Ele foi obediente ao Pai.


II. DANIEL E SALOMÃO

A construção do templo começou no 4° ano do reinado de Salomão (1Rs 6:1), na primavera do ano 966 a.C., e terminou no 11° ano (1Rs 6:38), com uma duração de 7 anos. A oração de dedicação, obviamente, ocorreu após o término da construção, por volta do ano 959 a.C. A primeira das três invasões babilônicas em Jerusalém, onde o povo começou a ser levado cativo, ocorreu em 605 a.C., mas o templo foi destruído só em 586 a.C., na última destas invasões. A segunda invasão foi em 597 a.C. quando na ocasião o profeta Ezequiel foi também levado cativo.

Há um paralelo interessante na oração de Daniel 9 com a oração de dedicação do templo por Salomão em 2 Crônicas 6. Em Daniel 9, o profeta de Deus que fora levado cativo em 605 a.C., ainda bem jovem, registra uma das mais lindas orações da Bíblia. Esta oração foi proferida e registrada no ano 539 a.C. Leia com atenção um trecho dela:
"Orei ao SENHOR, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos; temos pecado e cometido iniquidades  procedemos perversamente e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos; e não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, nossos príncipes e nossos pais, como também a todo o povo da terra. A ti, ó Senhor, pertence a justiça, mas a nós, o corar de vergonha, como hoje se vê; aos homens de Judá, os moradores de Jerusalém, todo o Israel, quer os de perto, quer os de longe, em todas as terras por onde os tens lançado, por causa das suas transgressões que cometeram contra ti." (Daniel 9:4-7)


O interessante neste paralelo é que 420 anos depois, a oração de Salomão, inspirada pelo Espírito Santo e registrada para benefício espiritual do povo de Deus de todas as épocas, também confortava o coração do profeta Daniel. Certamente, ele tinha em mente as palavras de Salomão quando proferiu esta oração. Certamente, ele reconhecia que as promessas condicionais haviam sido violadas pelo povo de Israel. 
Daniel entrava "em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer" (Daniel 6:10).

Percebeu? Daniel, além de orar três vezes ao dia, orava voltado para o lado de Jerusalém. Mas nem templo havia mais naquela época, tinha 47 anos que já havia sido destruído. O que motivou este comportamento que fez com que Daniel fosse parar na cova dos leões? A resposta é: a fidelidade de Deus e a sua fé nas promessas solicitadas a Deus por Salomão e atendida com a manifestação da presença de Deus após a oração de dedicação do templo (2Cr 7:1-2). Veja o que Salomão disse sobre orar voltado para Jerusalém:
"Toda oração e súplica, que qualquer homem ou todo o teu povo de Israel fizer, conhecendo cada um a sua própria chaga e a sua dor, e estendendo as mãos para o rumo desta casa, ouve tu dos céus, lugar da tua habitação, perdoa e dá a cada um segundo todos os seus caminhos, já que lhe conheces o coração, porque tu, só tu, és conhecedor do coração dos filhos dos homens; para que te temam, para andarem nos teus caminhos, todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais." (2 Crônicas 6:29-31)

CONCLUSÃO

As Escrituras oferecem realmente um maravilhoso e profundo conhecimento que vem dos céus. Como precisamos da justiça de Cristo para sermos aceitos. Como precisamos da iluminação do Espírito Santo para compreendermos a vontade de Deus para nossas vidas através do estudo da Bíblia.

O objetivo deste artigo não é fundar uma doutrina absurda de que, a partir de hoje, devemos orar com as mãos voltadas para Jerusalém, longe de mim isto. Tudo o que foi dito por minha falhas e humanas palavras e tudo que foi dito pela Palavra de Deus aqui deve servir para que nós, assim como Daniel, firmemos toda a convicção de nosso ser naquilo que Yahweh deixou revelado ao Seu povo. 

Daniel não perdia tempo com especulações, não se prendia a opiniões de doutores, não se limitava à visão de líderes religiosos, não se deixava ser manipulado pelo governo. Tão somente com todo o seu ser, mesmo tanto tempo depois, continuava crendo nas promessas de Deus. Confiava naquilo que o Espírito Santo havia guiado a ser registrado. Depositava todas suas convicções nas fiéis palavras de Yahweh. 

Ah irmão, eu já sei que devo confiar na Palavra de Deus, você pode estar pensando agora. Mas se não faz, meu amigo, sabendo que deve fazer, está condenando a si mesmo. Precisamos parar de viver uma religiosidade externa, cheia de rituais vazios e tradições destituídas de poder e deixar que a graça de Cristo transforme nossa vida com cada nova e preciosa verdade compreendida. Esta deve ser a nossa oração hoje!

"Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado!" (Gálatas 1:8). Estamos vivendo em uma época onde a verdade e o erro hoje estão, tão perto, tão sem distinção. Precisamos, mais do que Daniel, nos firmar unicamente no que a Bíblia diz, ainda que fogo desça do céu, ainda que um anjo apareça pregando, se for contrário àquilo que a Bíblia diz, que seja anátema. Decida firmar sua vida na Palavra de Deus!