sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O evangelho em tipo e antítipo


O longamente acariciado plano de Davi de construir um templo para o Senhor, coube a Salomão levar a cabo. Durante sete anos Jerusalém ficou cheia de ocupados trabalhadores, ocupados em nivelar o local, em construir vastos muros de contenção, e lançar amplos fundamentos — “pedras grandes e pedras preciosas, e pedras lavradas” — em modelar os pesados cedros adquiridos nas florestas do Líbano, e em erigir o magnificente santuário. (1 Reis 5:17).

Simultaneamente com o preparo de madeira e pedra, para cuja tarefa muitos milhares dedicavam suas energias, a manufatura do mobiliário do templo progredia firmemente sob a liderança de Hirão de Tiro, 
“um homem sábio de grande entendimento, [...] sabe lavrar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira, em obras de púrpura, de azul, e de linho fino, e em obras de carmesim.” (2 Crônicas 2:13-14).


Perfeitamente em harmonia com os modelos

Assim é que a construção sobre o Monte Moriá ia sendo erguida sem ruído, com “pedras já preparadas na pedreiras, de maneira que nem martelo, nem machado, nem instrumento algum de ferro se ouviu na casa quando a edificavam”, e seus belos pertences estavam em perfeita harmonia com os modelos entregues por Davi a seu filho, bem como “todos os utensílios do Santo Lugar de Deus.” (1 Reis 6:7; 2 Crônicas 4:19)

Incluíam-se o altar de incenso, a mesa para os pães da proposição, o castiçal e suas lâmpadas, com os vasos e instrumentos relacionados com a ministração dos sacerdotes no lugar santo, sendo tudo “do mais fino ouro.” (2 Crônicas 4:21). O mobiliário de bronze — o altar de ofertas queimadas, o grande mar sustentado por doze bois, os lavatórios de menor tamanho, com muitos outros vasos — “na planície do Jordão, o rei os fez fundir em terra barrenta, entre Sucote e Zeredá.” (2 Crônicas 4:17). Todo esse material era provido em abundância, de modo que não houvesse falta.


Um templo de esplendor sem rival

De inexcedível beleza e inigualável esplendor era o régio edifício que Salomão e seus homens erigiram a Deus e ao Seu culto. Guarnecido de pedras preciosas, circundado por espaçosos átrios com magnificentes vias de acesso, revestido de cedro lavrado e ouro polido, a estrutura do templo, com suas cortinas bordadas e rico mobiliário, era apropriado emblema da igreja viva de Deus na Terra, a qual tem sido edificada através dos séculos segundo o modelo divino, com material que se tem comparado ao “ouro, prata e pedras preciosas”, “lavradas como colunas de um palácio.”

1. Altar de sacrifício; 2. Grande mar sustentado por 12 bois; 3. Pia de bronze; 4. Castiçal de ouro; 5. Mesa com os pães da proposição; 6. Altar de incenso; 7. Arca da Aliança que continha os dez mandamentos; e 8. Querubins guardiães.


Um santuário mais do que esplêndido tinha sido construído, segundo o modelo mostrado a Moisés no monte, e posteriormente apresentado pelo Senhor a Davi. Em adição aos querubins em cima da arca, Salomão mandou fazer dois outros anjos de tamanho maior, ficando um em cada extremidade da arca, os quais representavam os guardiões celestiais da lei de Deus. É impossível descrever a beleza e esplendor deste santuário. Para dentro deste recinto foi a sagrada arca introduzida com solene reverência pelos sacerdotes, e posta em seu lugar sob as asas dos dois majestosos querubins que estavam sobre a mesa de cobertura da arca.


Deus indica sua aceitação

O sagrado coro ergueu suas vozes em louvor de Deus, e a melodia foi acompanhada por toda espécie de instrumentos musicais. E enquanto os átrios do templo ressoavam com louvor, a nuvem da glória de Deus inundou a casa, como havia anteriormente acontecido com o tabernáculo no deserto. 
“Tendo os sacerdotes saído do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor, de tal sorte que os sacerdotes não puderam permanecer ali, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória de Deus enchera a casa do Senhor.” (1 Reis 8:10-11).

Como o santuário terrestre construído por Moisés segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte, o templo de Salomão, com todos os seus serviços, era uma figura “para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios”; seus dois lugares santos eram “segundo as coisas que estão no Céu”; Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, é “ministro do santuário, e verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, não o homem.” (Hebreus 8:2).

Todo o sistema de tipos e símbolos era uma compacta profecia do evangelho, uma representação em que se continham as promessas de redenção.


O antítipo é perdido de vista

O Senhor Jesus era o fundamento de toda a dispensação judaica. Seus imponentes serviços foram ordenados por Deus. Foram designados para ensinar ao povo, que no tempo determinado, viria Aquele ao qual apontavam aquelas cerimônias.

À medida que se apartavam de Deus, os judeus perderam em grande parte de vista os ensinos do serviço ritual. Esse serviço fora instituído pelo próprio Cristo. Era, em cada uma de suas partes, um símbolo dEle; e mostrava-se cheio de vitalidade e beleza espiritual. Mas os judeus perderam a vida espiritual de suas cerimônias, apegando-se às formas mortas. Confiavam nos sacrifícios e ordenanças em si mesmos, em lugar de descansar nAquele a quem apontavam. A fim de suprir o que haviam perdido, os sacerdotes e rabis multiplicavam exigências por sua conta; e quanto mais rígidos se tornavam, menos manifestavam o amor de Deus.


Os serviços do templo perderam seu significado

Cristo era o fundamento e a vida do templo. Os serviços deste eram típicos do sacrifício do Filho de Deus. O sacerdócio fora estabelecido para representar o caráter mediador e a obra de Cristo. Todo o plano do culto sacrifical era uma representação da morte do Salvador para redimir o mundo. Não haveria eficácia nessas ofertas, quando o grande acontecimento a que por séculos haviam apontado, se viessem a consumar.

Uma vez que toda a ordem era simbólica de Cristo, não tinha valor sem Ele. Quando os judeus selaram sua rejeição de Cristo, entregando-O à morte, rejeitaram tudo quanto dava significação ao templo e seus serviços. Sua santidade desaparecera. Estava condenado à destruição. Daquele dia em diante, as ofertas sacrificais e o serviço com elas relacionado eram destituídos de significado. Como a oferta de Caim, não exprimiam fé no Salvador. Condenando Cristo à morte, os judeus destruíram virtualmente seu templo. Quando Cristo foi crucificado, o véu interior do templo se rasgou em dois de alto a baixo, significando que o grande sacrifício final fora feito, e que o sistema de ofertas sacrificais cessara para sempre.

“Em três dias o levantarei.” Por ocasião da morte do Salvador as potências das trevas pareciam prevalecer, e exultaram em sua vitória. Do fendido sepulcro de José, porém, saiu Jesus vitorioso. 
“Despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em Si mesmo.” (Colossenses 2:15). 
Pela virtude de Sua morte e ressurreição, tornou-Se o ministro do “verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.” (Hebreus 8:2). Foram homens que erigiram o tabernáculo judaico; homens construíram o templo; o santuário de cima, porém, do qual o terrestre era o símbolo, não foi construído por nenhum arquiteto humano. 
“Eis aqui o Homem cujo nome é Renovo; Ele mesmo edificará o templo do Senhor, e levará a glória, e assentar-Se-á, e dominará no Seu trono.” (Zacarias 6:12-13).


Olhos voltados para o verdadeiro sacrifício

O serviço sacrifical que apontara a Cristo, passou, mas os olhos dos homens voltaram-se para o sacrifício verdadeiro pelos pecados do mundo. O sacerdócio terrestre terminou; mas nós olhamos a Jesus, o ministro do novo concerto, e “ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hebreus 12:24).
“O caminho do santuário não estava descoberto enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo, [...] mas, vindo Cristo, o Sumo Sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, [...] não feito por mãos, por Seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.” (Hebreus 9:8-12).

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hebreus 7:25). Conquanto o serviço houvesse de ser transferido do templo terrestre ao celestial; embora o santuário e nosso grande Sumo Sacerdote fossem invisíveis aos olhos humanos, todavia os discípulos não sofreriam com isso nenhum detrimento. Não experimentariam nenhuma falha em sua comunhão, nem enfraquecimento de poder devido à ausência do Salvador. Enquanto Cristo ministra no santuário em cima, continua a ser, por meio de Seu Espírito, o ministro da igreja na Terra.


Nosso sumo sacerdote, nosso advogado

“Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus; nem ainda para Se oferecer a Si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que Ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar pelo sacrifício de Si mesmo o pecado.” (Hebreus 9:24-26). 
“Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-Se à destra de Deus.” (Hebreus 10:12). 
Cristo entrou uma vez no santo lugar, tendo obtido para nós eterna redenção. “Por isso também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hebreus 7:25). Ele Se qualificou para ser não somente representante do homem, mas seu Advogado, de modo que toda alma, se desejar, possa dizer: Tenho um Amigo no tribunal, um Sumo Sacerdote que é sensível ao sentimento de minhas enfermidades.


O santuário no Céu é o próprio centro da obra de Cristo em favor dos homens. Ele diz respeito a cada alma que vive na Terra. Abre ante nossos olhos o plano da redenção, conduzindo-nos através do tempo ao próprio fim, e revelando o triunfante resultado da controvérsia entre justiça e pecado. É da máxima importância que todos investiguem inteiramente esses assuntos, e sejam capazes de dar a cada um que lhes peça, a razão para a esperança que neles há.


Perguntas para estudo:

1. De que modo singular foi construído o templo de Salomão?
2. De que era o templo um emblema?
3. Como Deus mostrou Sua aprovação ao templo quando completado?
4. Em torno de quem era organizada toda a economia judaica?
5. Quando os judeus perderam o sentido espiritual de suas cerimônias, que fizeram?
6. Quando e como o templo perdeu seu significado e santidade?
7. Em que direção e a quem devia então o homem se voltar, na esperança de um ministério significativo de sua salvação?
8. Jesus é o “representante” do homem, bem como seu “Advogado”. Qual a diferença entre estas duas funções?

(Ellen G. White. Cristo em Seu Santuário, p. 41-46)