quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Cristo no sistema sacrifical


O pecado de nossos primeiros pais acarretou a culpa e a tristeza sobre o mundo, e se não fora a bondade e misericórdia de Deus, teria mergulhado a raça humana em irremediável desespero.

A queda do homem encheu o Céu todo de tristeza. O mundo que Deus fizera estava deslustrado pela maldição do pecado, e habitado por seres condenados à miséria e morte. Não parecia haver meio pelo qual pudessem escapar os que tinham transgredido a lei. [...]

Entretanto o amor divino havia concebido um plano pelo qual o homem poderia ser remido. A lei de Deus, quebrantada, exigia a vida do pecador. Em todo o Universo não havia senão um Ser que, em favor do homem, poderia satisfazer as suas reivindicações. Visto que a lei divina é tão sagrada como o próprio Deus, unicamente um Ser igual a Deus poderia fazer expiação por sua transgressão.

Para o homem, a primeira indicação de redenção foi dada na sentença pronunciada sobre Satanás, no jardim. Declarou o Senhor: 
“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente: esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” Gênesis 3:15. 
Esta sentença, proferida aos ouvidos de nossos primeiros pais, foi para eles uma promessa. Ao mesmo tempo em que predizia guerra entre o homem e Satanás, declarava que o poder do grande adversário finalmente seria quebrado. [...] Posto que devessem sofrer pelo poder de seu forte adversário, poderiam olhar no futuro para a vitória final.

Anjos celestiais de maneira mais ampla patentearam a nossos primeiros pais o plano que fora concebido para sua salvação. Afirmou-se a Adão e sua companheira que, apesar de seu grande pecado, não seriam eles abandonados ao domínio de Satanás. O Filho de Deus Se oferecera, para expiar, com Sua própria vida, a transgressão deles. Um período de graça lhes seria concedido e, mediante o arrependimento e a fé em Cristo, poderiam de novo tornar-se filhos de Deus.


O caráter sagrado da lei de Deus

O sacrifício exigido por sua transgressão, revelava a Adão e Eva o caráter sagrado da lei de Deus; e viram, como nunca antes o fizeram, a culpabilidade do pecado, e seus funestos resultados.

A lei de Deus já existia antes que o homem fosse criado. Os anjos eram governados por ela. Satanás caiu porque transgrediu os princípios do governo de Deus. Depois que Adão e Eva foram criados, Deus lhes fez conhecida Sua lei. Ela não foi escrita então, mas repetida a eles por Yahweh.

Após o pecado e queda de Adão, nada foi tirado da lei de Deus. Os princípios dos Dez Mandamentos existiam antes da queda, e eram de caráter adequado à condição de uma ordem de seres santos.

Os princípios foram mais explicitamente afirmados perante o homem depois da queda, e expressos de molde a enfrentar o caso de inteligências caídas. Isto foi necessário em virtude de ter a mente humana ficado cegada pela transgressão.

Foi estabelecida então um sistema que requeria o sacrifício de animais, para que se mantivesse diante do homem caído aquilo que a serpente fizera Eva descrer: que a penalidade para a desobediência é a morte. A transgressão da lei de Deus tornou necessário que Cristo morresse como sacrifício, possibilitando assim ao homem escapar da penalidade, sendo ainda preservada a honra da lei de Deus. O sistema de sacrifícios devia ensinar ao homem a humildade, em vista de sua caída condição, e levá-lo a arrepender-se e a confiar em Deus somente, mediante o prometido Redentor, para o perdão de anterior transgressão da lei.

O próprio sistema de sacrifícios foi planejado por Cristo, e dado a Adão como típico de um Salvador por vir.


O homem oferece seu primeiro sacrifício

Para Adão, a oferta do primeiro sacrifício foi uma cerimônia dolorosíssima. Sua mão deveria erguer-se para tirar a vida, a qual unicamente Deus podia dar. Foi a primeira vez que testemunhava a morte, e sabia que se ele tivesse sido obediente a Deus não teria havido morte de homem ou animal. Ao matar a inocente vítima, tremeu com o pensamento de que seu pecado deveria derramar o sangue do imaculado Cordeiro de Deus. Esta cena deu-lhe uma intuição mais profunda e vívida da grandeza de sua transgressão, que coisa alguma a não ser a morte do amado Filho de Deus poderia expiar. E maravilhou-se com a bondade infinita que daria tal resgate para salvar o culpado. Uma estrela de esperança iluminou o futuro tenebroso e terrível, e o aliviou de sua desolação total.

A Adão foi ordenado que ensinasse a seus descendentes o temor do Senhor, e, por seu exemplo e humilde obediência, levá-los a considerar altamente as ofertas que tipificavam um Salvador que devia vir. Adão cuidadosamente entesourou o que Deus lhe havia revelado, e de forma oral transmitiu-o a seus filhos e aos filhos de seus filhos.

Na porta do Paraíso, guardada pelos querubins, revelava-se a glória de Deus, e para ali vinham os primeiros adoradores. Ali erguiam os seus altares, e apresentavam suas ofertas.

Na oferta sacrifical sobre cada altar era visto um Redentor. Com a nuvem de incenso, subia de cada coração contrito a oração de que Deus aceitasse sua oferta como demonstração de fé no Salvador por vir.

O sistema sacrifical, entregue a Adão, foi [...] pervertido por seus descendentes. Superstição, idolatria, crueldade e licenciosidade, corrompiam o serviço simples e significativo que Deus instituíra. Mediante o prolongado trato com os idólatras, o povo de Israel misturara com seu culto muitos costumes gentílicos; portanto o Senhor lhes deu no Sinai instruções definidas com relação ao serviço sacrifical.


Perguntas para estudo:

1. Por que somente um igual a Deus podia fazer expiação pela transgressão da lei divina?
2. Que significado teve para Satanás a declaração de Gênesis 3:15? Para Adão e Eva?
3. Por que foi concedido um período de graça?
4. Quais eram os propósitos do sistema sacrifical?
5. Por que o primeiro sacrifício foi para Adão uma penosa cerimônia?
6. Onde Adão e Eva erigiram seus primeiros altares? É isto significativo?


(Ellen G. White. Cristo em Seu Santuário, p. 21-24)