sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Juízo Investigativo: Enfrentando o registro de nossa vida


"Continuei olhando, até que foram postos uns tronos, e o Ancião de dias Se assentou; Sua veste era branca como a neve, e os cabelos da cabeça, como a pura lã; o Seu trono eram chamas de fogo, e suas rodas eram fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dEle; milhares de milhares O serviam, e miríades de miríades estavam diante dEle; assentou-se o tribunal, e se abriram os livros” (Daniel 7:9-10).

Assim foi apresentado à visão de Daniel o grande dia em que a vida dos homens passaria em revista perante o Juiz de toda a Terra. O Ancião de dias é Deus, o Pai. Ele, a fonte de todo ser, a origem de toda lei, deve presidir o julgamento. E santos anjos, como ministros e testemunhas, são os assistentes.

“E eis que vinha com as nuvens do Céu um como o Filho do homem, e dirigiu-Se ao Ancião de dias, e O fizeram chegar até Ele. Foi-Lhe dado domínio e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas O servissem; o Seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o Seu reino jamais será destruído” (Daniel 7:13-14).

A vinda de Cristo aqui descrita não é a Sua segunda vinda à Terra. Ele vem ao Ancião de dias no Céu, para receber o reino que Lhe será dado no final de Sua obra de mediador. É esta vinda, e não o Seu segundo advento à Terra, que deveria ocorrer ao final dos 2.300 dias em 1844. Nosso grande Sumo Sacerdote entra no lugar santíssimo a fim de envolver-Se em Sua última ministração em favor do homem.

No cerimonial típico, somente aqueles cujos pecados haviam sido transferidos ao santuário é que tinham parte no Dia da Expiação. Assim, no grande dia da expiação final e do juízo de investigação, os únicos casos a serem considerados são os do povo professo de Deus. O julgamento dos ímpios constitui obra distinta e separada, e ocorre em ocasião posterior. “Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada” (1 Pedro 4:17).

Os livros de registro no Céu devem determinar a decisão do juízo. O livro da vida contém os nomes de todos os que já entraram para o serviço de Deus. Jesus ordenou aos discípulos: “Alegrai-vos [...] porque os vossos nomes estão arrolados nos Céus.” Paulo fala de seus cooperadores, “cujos nomes estão no livro da vida”. Daniel declara que o povo de Deus será livrado, “todo aquele cujo nome for achado inscrito no livro da vida”. E João diz que apenas entrarão na cidade de Deus aqueles cujos nomes estão “inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Lucas 10:20; Filipenses 4:3; Daniel 12:1; Apocalipse 21:27).

No “livro das memórias” estão registradas as boas ações dos “que temem ao Senhor, e para os que se lembram do Seu nome”. Toda tentação resistida, todo mal vencido, toda palavra de compaixão que se proferir, todo ato de sacrifício, todo sofrimento suportado por amor de Cristo, encontra-se registrado. “Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no Teu odre: não estão elas inscritas no Teu livro?” (Malaquias 3:16; Salmos 56:8).


Motivos secretos

Há também um relatório dos pecados dos homens. “Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.” “Toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no dia de juízo. Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.” Os motivos secretos aparecem no registro, porque Deus “trará à plena luz as coisas ocultas das trevas [...] e também manifestará os desígnios dos corações” (Eclesiastes 12:14; Mateus 12:36, 37; 1 Coríntios 4:5). 

Ao lado de cada nome nos livros do Céu, estão escritos toda má palavra, todo ato egoísta, todo dever não cumprido, todo pecado secreto. Advertências enviadas pelo Céu ou reprovações negligenciadas, momentos desperdiçados, a influência exercida para o bem ou para o mal, juntamente com seus resultados de vasto alcance, tudo é historiado pelo anjo relator.


A norma de julgamento

A lei de Deus é a norma pela qual se efetua o julgamento. “Teme a Deus, e guarda os Seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras.” “Falai de tal maneira, e de tal maneira procedei, como aqueles que hão de ser julgados pela lei da liberdade” (Eclesiastes 12:13, 14; Tiago 2:12).

Os que forem “havidos por dignos” terão parte na ressurreição dos justos. Disse Jesus: “Os que são havidos por dignos de alcançar a era vindoura e a ressurreição dentre os mortos, [...] são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.” “Os que tiverem feito o bem” sairão “para a ressurreição da vida” (Lucas 20:35, 36; João 5:29). Os justos mortos não ressuscitarão senão depois do juízo, no qual são havidos por dignos da “ressurreição da vida.” Conseqüentemente, não estarão presentes em pessoa no tribunal em que seus registros são examinados e decidido seu caso.

Jesus aparecerá como seu Advogado, a fim de pleitear em favor deles perante Deus. “Se [...] alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo.” “Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo Céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus.” “Por isso também pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (1 João 2:1; Hebreus 9:24; 7:25).

Ao abrirem-se os livros de registro no juízo, é passada em revista perante Deus a vida de todos os que creram em Jesus. Começando pelos que primeiro viveram na Terra, nosso Advogado apresenta os casos de cada geração sucessiva. Cada nome é mencionado, cada caso investigado. Nomes são aceitos, nomes são rejeitados. Quando alguém tiver pecados que permaneçam nos livros de registro, para os quais não houve arrependimento nem perdão, seu nome será omitido do livro da vida. O Senhor declarou a Moisés: “Riscarei do Meu livro todo aquele que pecar contra Mim” (Êxodo 32:33).

Todos os que tiverem se arrependido verdadeiramente do pecado e que pela fé tenham reclamado o sangue de Cristo, tiveram o perdão aposto a seu nome nos livros do Céu. Tornando-se eles participantes da justiça de Cristo e verificando-se estar o seu caráter em harmonia com a lei de Deus, seus pecados são riscados e eles próprios havidos por dignos da vida eterna. 

O Senhor declara: “Eu, Eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de Mim, e dos teus pecados não Me lembro.” “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e [...] confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus anjos.” “Todo aquele que Me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de Meu Pai que está nos Céus; mas aquele que Me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de Meu Pai que está nos Céus” (Isaías 43:25; Apocalipse 3:5; Mateus 10:32-33).

O Intercessor divino apresenta a petição para que todos os que venceram pela fé em Seu sangue sejam restabelecidos a seu lar edênico, e coroados com ele como co-herdeiros do “primeiro domínio”. Miquéias 4:8. Cristo pede agora que o plano divino na criação do homem seja levado a efeito como se o homem nunca houvesse caído. Pede, para Seu povo, não somente perdão e justificação, mas participação em Sua glória e assento sobre o Seu trono.

Enquanto Jesus faz a defesa dos súditos de Sua graça, Satanás os acusa perante Deus. Aponta para o relatório de suas vidas, para os defeitos de caráter e dessemelhança com Cristo, para todos os pecados que ele próprio os tentou a cometer. Por causa disso os reclama como súditos seus.

Jesus não lhes justifica os pecados, mas apresenta o seu arrependimento e fé. Reclamando o perdão para eles, ergue as mãos feridas perante o Pai, dizendo: “Gravei-os na palma de Minhas mãos. ‘Sacrifícios agradáveis a Deus são o coração quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus’” (Salmos 51:17).


O Senhor repreende a Satanás

Ao acusador de Seu povo Ele declara: “O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor que escolheu Jerusalém te repreende; não é este um tição tirado do fogo?” Zacarias 3:2. Cristo vestirá Seus fiéis com Sua própria justiça, para que os possa apresentar a Seu Pai como “igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem cousa semelhante” (Efésios 5:27).

Assim se realizará o cumprimento total da promessa do novo concerto: “Perdoarei as suas iniqüidades, e dos seus pecados jamais Me lembrarei.” “Naqueles dias, e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniqüidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão.” “Será que os restantes de Sião e os que ficarem em Jerusalém serão chamados santos; todos os que estão inscritos em Jerusalém para a vida” (Jeremias 31:34; 50:34; Isaías 4:3).


O apagamento dos pecados

A obra do juízo investigativo e extinção dos pecados deve efetuar-se antes do segundo advento do Senhor. No culto típico, o sumo sacerdote saía e abençoava a congregação. Assim Cristo, no final de Sua obra mediatória, aparecerá “sem pecado, aos que O aguardam para a salvação” (Hebreus 9:28).

O sacerdote, ao remover do santuário os pecados, confessava-os sobre a cabeça do bode emissário. Cristo colocará todos esses pecados sobre Satanás, o instigador do pecado. O bode emissário era enviado “à terra solitária” (Levítico 16:22). Satanás, levando a culpa de todos os pecados que levou o povo de Deus a cometer, estará durante mil anos circunscrito à terra desolada, e por fim sofrerá a pena no fogo que haverá de destruir a todos os maus. Assim o plano da redenção atingirá seu cumprimento na erradicação final do pecado.

No tempo indicado — No tempo indicado — o encerramento dos 2.300 dias em 1844 — começou a obra de investigação e apagamento dos pecados. Pecados de que não houve arrependimento e que não foram abandonados, não serão apagados dos livros de registro. Anjos de Deus testemunharam cada pecado e o registraram. O pecado pode ser escondido, negado, encoberto ao pai, mãe, esposa, filhos e companheiros; jaz, porém, descoberto diante dos Céus. Deus não Se deixa enganar pelas aparências. Não comete erros. Os homens podem ser enganados pelos que são de coração corrupto, mas Deus lê a vida íntima.

Quão solene é este pensamento! Nem o mais poderoso conquistador terrestre é capaz de trazer de volta o registro de um único dia. Nossos atos, nossas palavras, mesmo os nossos motivos secretos, embora esquecidos por nós, darão o seu testemunho para justificar ou condenar.

No juízo será examinado o uso feito de cada talento. Como usamos nosso tempo, nossa pena, nossa voz, nosso dinheiro, nossa influência? O que fizemos por Cristo, na pessoa dos pobres, dos aflitos, dos órfãos, das viúvas? Que fizemos com a luz e verdade que nos foram concedidas? Unicamente o amor que se revela por obras é considerado genuíno. É somente o amor que, à vista do Céu, torna de valor qualquer ato.


Revela-se o egoísmo oculto

O oculto egoísmo humano permanece revelado nos livros do Céu. Quantas vezes foram cedidos a Satanás o tempo, o pensamento e a força que pertenciam a Cristo! Seguidores professos de Cristo estão absortos na aquisição de posses mundanas ou do gozo de prazeres terrenos. Dinheiro, tempo e força são sacrificados na ostentação e condescendência próprias; poucos são os momentos dedicados à prece, à pesquisa das Escrituras, à confissão de pecados.

Satanás concebe inumeráveis planos para nos ocupar a mente. O arquienganador odeia as grandes verdades que apresentam um sacrifício expiatório e um todo-poderoso Mediador. Sabe que para ele tudo depende de desviar a mente de Jesus.

Os que desejam participar dos benefícios da mediação do Salvador não devem permitir que coisa alguma interfira com seu dever de aperfeiçoar a santidade no temor de Deus. As preciosas horas, em vez de serem entregues ao prazer, à ostentação ou ambição de ganho, devem ser dedicadas ao estudo da Palavra da Verdade. O santuário e o juízo investigativo devem ser claramente entendidos. Todos necessitam do conhecimento sobre a posição e obra de seu grande Sumo Sacerdote. De outra forma será impossível exercer a fé que é essencial para esse tempo.

O santuário no Céu é o próprio centro da obra de Cristo em favor dos homens. Diz respeito a toda pessoa que vive sobre a Terra. Patenteia-nos o plano da redenção, transportando-nos mesmo até ao final da controvérsia entre a justiça e o pecado.


A intercessão de Cristo

A intercessão de Cristo no santuário celestial, em prol do homem, é tão essencial ao plano da redenção quanto o foi Sua morte sobre a cruz. Pela Sua morte iniciou a obra para cuja terminação ascendeu ao Céu. Pela fé devemos penetrar até o interior do véu, “aonde Jesus, como precursor, entrou por nós” (Hebreus 6:20). Ali se reflete a luz da cruz. Ali podemos obter intuição mais clara dos mistérios da redenção.

“O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13). Se os que escondem as suas faltas pudessem ver como Satanás escarnece de Cristo pelo procedimento deles, apressar-se-iam a confessar seus pecados e a deixá-los. Satanás trabalha para obter o domínio da mente toda, e sabe que, se os defeitos forem acariciados, será bem-sucedido. Portanto, está a todo momento procurando enganar os seguidores de Cristo com seu fatal sofisma de que lhes é impossível vencer. Mas Jesus declarou a todos que O seguem: “A Minha graça te basta.” “O Meu jugo é suave, e o Meu fardo é leve” (2 Coríntios 12:9; Mateus 11:30). Ninguém, pois, considere incuráveis os seus defeitos. Deus dará fé e graça para vencê-los.

Vivemos hoje no grande dia da expiação. Enquanto o sumo sacerdote fazia expiação por Israel, exigia-se de todos que se afligissem em arrependimento do pecado. De igual modo, todos quantos desejam que seu nome seja conservado no livro da vida, devem agora afligir-se diante de Deus, em genuíno arrependimento. Deve haver um exame de coração, profundo e sincero. O espírito frívolo, alimentado por tantos, deve ser abandonado. Há uma luta intensa diante de todos os que desejam subjugar as más tendências que lutam pelo predomínio. Cada um deve ser encontrado “sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante” (Efésios 5:27).

Hoje, mais que em qualquer outro tempo, importa que todos atendam à admoestação do Salvador: “Estai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo” (Marcos 13:33).


Decidido o destino de todos

O tempo da graça finaliza pouco antes do aparecimento do Senhor nas nuvens do Céu. Cristo, prevendo esse tempo, declara: “Continue o injusto fazendo injustiça, continue o imundo ainda sendo imundo; o justo continue na prática da justiça, e o santo continue a santificar-se. E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 22:11-12).

Os homens estarão plantando, construindo, comendo e bebendo, todos inconscientes de que a decisão final foi pronunciada no santuário celestial. Antes do dilúvio, após a entrada de Noé na arca, Deus o encerrou e excluiu os ímpios; mas, durante sete dias, o povo continuou em sua vida de amor aos prazeres, zombando das advertências quanto ao juízo iminente. “Assim”, diz o Salvador, “será também na vinda do Filho do homem.” Silenciosamente, despercebida como o ladrão à meia-noite, virá a hora decisiva que determina o destino de cada homem. “Vigiai, pois, [...] para que, vindo Ele inesperadamente, não vos ache dormindo” (Mateus 24:39; Marcos 13:35-36).

Perigosa é a condição dos que, cansando-se de vigiar, volvem às atrações do mundo. Enquanto o homem de negócios está absorto em busca de lucros, enquanto o amante de prazeres procura satisfazer os mesmos, enquanto a escrava da moda está a arranjar os seus adornos — pode ser que naquela hora o Juiz de toda a Terra pronuncie a sentença: “Pesado foste na balança, e achado em falta” (Daniel 5:27).

(Ellen G. White. O Grande Conflito, p. 211-216)