quarta-feira, 20 de maio de 2015

As estações têm uma influência decisiva na saúde

Já faz algum tempo que os médicos sabem que algumas doenças têm maior probabilidade de surgimento nos meses de inverno e são mais graves. Um estudo britânico publicado na revista "Nature Communications" agora explica por que isso ocorre. Uma parte considerável da expressão genética varia de acordo com a estação do ano, impactando assim o sistema imune, o sangue e até mesmo o tecido adiposo.

Uma equipe de pesquisadores sob a liderança da Universidade de Cambridge analisou amostras de sangue e de tecido adiposo de mais de 16.000 pessoas. Os sujeitos do estudo vieram do hemisfério norte e do hemisfério sul (Reino Unido, EUA, Islândia, Austrália e Gâmbia).

O estudo mostrou que quase um quarto da expressão genética - 5.136 dos 22.822 genes testados - varia de acordo com o período do ano. Alguns genes são mais ativos no inverno, outros no verão. Aliados à alteração da expressão genética, também mudam as células imunológicas, a composição do sangue e o tecido adiposo.



Foi impressionante, em especial, a atividade do gene ARNTL, o qual foi mais ativo no verão do que no inverno. Em estudos com camundongos, o ARNTL teve um efeito anti-inflamatório. Convertido para os humanos, isso indicaria que os níveis de inflamação são maiores no inverno o que, por sua vez, explicaria por que tantas doenças se tornam um problema maior durante os meses do inverno.

Os cientistas também descobriram que até mesmo a resposta imunológica a vacinas parece variar de acordo com a estação do ano. Alguns genes fundamentais para a resposta imunológica são mais ativos no inverno, provavelmente devido à resistência contra as bactérias na circulação. Portanto, a vacinação neste período do ano pode ser benéfica, concluíram os pesquisadores. No Gâmbia, a variação sazonal está relacionada ao período de chuvas entre junho e outubro, período no qual um número especialmente maior de doenças contagiosas são mais predominantes.

O mecanismo por trás da atividade sazonal ainda não está evidente, disseram os pesquisadores. Contudo, estímulos externos, como a luz do dia ou a temperatura ambiente e, por conseguinte, o ciclo circadiano, podem ser possibilidades óbvias. Tais achados podem não somente mudar o tratamento de várias doenças, como também o planejamento de estudos científicos, disseram os pesquisadores.



P.S.: Para o cristão, essa descoberta científica confirma a intencionalidade da natureza projetada de forma inteligente. No relato bíblico-histórico de Gênesis 1, temos o seguinte:
"Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anosE sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas. E os colocou no firmamento dos céus para alumiarem a terra, para governarem o dia e a noite e fazerem separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o quarto dia."
Intencionalmente, Yahweh estabeleceu os movimentos de translação (Terra em torno do Sol), rotação (Terra em torno do seu próprio eixo) e revolução (Lua em torno da Terra) no quarto dia, estabelecendo as estações do ano, um dia de 24 horas e um mês de aproximadamente 30 dias. Tudo isso para benefício do homem, como a ciência demonstrou neste estudo.

terça-feira, 19 de maio de 2015

ORIGENS [Episódio 02] - Do Artificial ao Natural


John M. Fowler - A parábola do filho perdido

Aclamada na História como a mais bela narrativa contada sobre a natureza perdoadora do amor, a parábola do filho pródigo (Lucas 15:11-32), narrada apenas por Lucas, pode, com razão, ser chamada de a parábola do pai amoroso e de dois filhos perdidos. Um filho preferiu a vida desordenada numa terra distante em vez do amor do pai. O outro filho escolheu ficar em casa, mas não conhecia plenamente o amor do pai nem o significado de ter um irmão. A parábola pode ser estudada em sete partes, sendo que quatro delas tratam do pródigo, duas do pai e uma do irmão mais velho.

1. “Dá-me” (Lc 15:12). 

A decisão do filho mais novo de requerer do pai sua parte na propriedade não foi uma atitude repentina, impulsiva. Frequentemente, o pecado ocorre após um longo tempo de concentração da mente em prioridades errôneas. O filho mais novo deve ter ouvido amigos falarem sobre o brilho e o glamour de terras distantes. A vida no lar era muito rígida. Ali havia amor, mas o amor impunha limites; a terra distante lhe oferecia uma vida sem restrições. O pai era demasiadamente protetor, e seu amor cerceava muito. O filho desejava liberdade e, na busca pela liberdade irrestrita estava a semente da rebelião.

2. “Por que eu?” (Lc 15:13-16). 

O filho pegou toda a sua parte em dinheiro e partiu para uma “terra distante”. A terra distante é um lugar longe da casa do pai. Os olhos solícitos do amor, a cerca protetora da lei e a graça, sempre presente, a envolver, são estranhos à terra distante. A terra distante é de vida dissoluta (Lc 15:13). A palavra grega traduzida como “dissolutamente” (asotos) aparece outras três vezes no Novo Testamento como substantivo, traduzida como “dissolução” relacionada à embriaguez (Ef 5:18), “dissolução” associada à rebelião (Tt 1:6) e como “devassidão”, que inclui libertinagem, sensualidade, bebedeiras, orgias e farras, e idolatria repugnante (1Pe 4:3, 4). Esses prazeres da vida imoral acabaram com a saúde e com a riqueza do filho, e logo ele ficou sem dinheiro, sem amigos e sem comida. Sua vida brilhante terminou na sarjeta. Sem comida, ao ponto de viver em perpétua penúria, ele achou emprego para cuidar de porcos, um destino cruel para um judeu.

3. “Faze-me” (Lc 15:17-19, ARC). 

Mas até o pródigo ainda é filho, e tem o poder de escolher dar meia-volta. Assim, o filho, “caindo em si”, lembrou-se de um lugar chamado lar, de uma pessoa conhecida como pai, de um laço de relacionamento chamado amor. Ele voltou a pé para casa, com um discurso preparado, para suplicar ao pai: “Faze-me”. Isto é, faça de mim o que o senhor quiser, mas deixe-me estar diante de seus olhos vigilantes, dentro do cuidado de seu amor. Que melhor lar existe do que o coração do pai?

4. A volta para casa (Lc 15:17-20) foi uma viagem de arrependimento. 

A viagem começou quando ele caiu em si. O reconhecimento de onde ele estava, em comparação com o que era o lar do pai, o levou a decidir: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai.” O filho pródigo voltou para casa com um discurso de quatro partes que define o verdadeiro significado do arrependimento.
  1. Em primeiro lugar, há um reconhecimento do pai como “meu pai” (v. 18). O filho pródigo então precisa apoiar-se e confiar no amor e no perdão de seu pai, assim como precisamos aprender a confiar no amor e no perdão de nosso Pai celestial.
  2. Em segundo lugar, há confissão: o que o pródigo fez não foi um erro de discernimento, mas um pecado contra Deus e o pai (v. 18).
  3. Em terceiro lugar, há contrição: “Já não sou digno” (v. 19). O reconhecimento da própria indignidade, em contraste com a dignidade de Deus, é essencial para que o verdadeiro arrependimento ocorra.
  4. Em quarto lugar, há petição: “Faze-me” (v. 19, ARC). O alvo do arrependimento é submissão à vontade de Deus, qualquer que seja ela. O filho voltou ao lar.

5. O pai expectante (Lc 15:20, 21). 

A espera e a vigília, a dor e a esperança, começaram no momento em que o pródigo pôs os pés fora de casa. A espera terminou quando o pai o viu “ainda longe”, e então, “compadecido dele, correndo, o abraçou e beijou” (v. 20). Nenhuma outra imagem captura o caráter de Deus como essa de um pai expectante.

6. A família regozijante (Lc 15:22-25). 

O pai abraçou o filho, vestiu-o com uma nova roupa, colocou-lhe um anel no dedo e sapatos nos pés, e mandou dar uma festa. A família estava comemorando. Se sair de casa foi a morte, a volta foi uma ressurreição e, como tal, digna de ser comemorada. O filho era, de fato, um pródigo, mas, apesar disso, um filho, e por todo filho arrependido há alegria no Céu (v. 7).

7. O filho mais velho (Lc 15:25-32). 

O filho mais novo estava perdido quando saiu de casa para ir a uma terra distante; o filho mais velho estava perdido porque, embora estivesse fisicamente em casa, seu coração estava numa terra distante. Um coração assim é irado (v. 28), queixoso, cheio de justiça própria (v. 29), e se recusa a reconhecer um irmão. Em vez disso, reconhece apenas “esse teu filho”, um desperdiçador sem caráter (v. 30). A atitude do filho mais velho para com o pai é a mesma dos fariseus que acusaram Jesus: “Este recebe pecadores e come com eles” (v. 2).

A palavra final do pai para o filho mais velho reflete a atitude do Céu para com todos os pecadores arrependidos: “Era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado” (v. 32).

John M. Fowler. Lição da Escola Sabatina: O evangelho de Lucas. Abril, maio e junho, 2015.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Não importa o que a igreja ensina desde que fale de Deus, certo?

"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de." (Oseias 4:6)
A verdade e a glória de Deus são inseparáveis; é-nos impossível, com a Bíblia ao nosso alcance, honrar a Deus com opiniões errôneas. Muitos alegam que não importa o que alguém creia, se tão-somente sua vida for correta. Mas a vida é moldada pela fé. Se a luz e a verdade estão ao nosso alcance, e negligenciamos aproveitar o privilégio de ouvir e vê-las, virtualmente as rejeitamos; estamos a escolher as trevas em vez da luz.


“Há caminho, que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte” (Provérbios 16:25). A ignorância não é desculpa para o erro ou pecado, quando há toda a oportunidade de conhecer a vontade de Deus. Um homem está a viajar, e chega a um lugar em que há várias estradas, e uma tabuleta indicando aonde cada uma delas leva. Se desatende à indicação da tabuleta, tomando qualquer caminho que lhe pareça direito, poderá ser muito sincero, mas encontrar-se-á com toda a probabilidade no caminho errado.

Deus nos deu Sua Palavra para que pudéssemos familiarizar-nos com os seus ensinos e saber, por nós mesmos, o que Ele de nós requer. Quando o doutor veio a Jesus com a pergunta: “Que farei para herdar a vida eterna?” o Salvador lhe fez referência às Escrituras, dizendo: “Que está escrito na lei? como lês?” [Lucas 10:25-26] A ignorância não desculpará jovens ou velhos, nem os livrará do castigo devido pela transgressão da lei de Deus, pois têm ao alcance uma exposição fiel daquela lei, de seus princípios e requisitos. Não basta termos boas intenções; não basta fazermos o que se julga ser direito, ou o que o ministro diz ser correto. A salvação de nossa alma está em jogo, e devemos examinar as Escrituras por nós mesmos. Por mais fortes que possam ser nossas convicções, por maior confiança que tenhamos de que o ministro sabe o que é a verdade, não seja este o nosso fundamento. Temos um mapa dando todas as indicações do caminho, na jornada em direção ao Céu, e não devemos estar a conjeturar a respeito de coisa alguma.

O primeiro e mais elevado dever de todo ser racional é aprender das Escrituras o que é a verdade, e então andar na luz, animando outros a lhe seguirem o exemplo. Devemos dia após dia estudar a Bíblia, diligentemente, ponderando todo pensamento e comparando passagem com passagem. Com o auxílio divino devemos formar nossas opiniões por nós mesmos, visto termos de responder por nós mesmos perante Deus.

As verdades mais claramente reveladas na Escritura Sagrada têm sido envoltas em dúvida e trevas pelos homens doutos que, com pretensão de grande sabedoria, ensinam que as Escrituras têm um sentido místico, secreto, espiritual, que não transparece na linguagem empregada. Estes homens são falsos ensinadores. Foi a essa classe que Jesus declarou: “Errais vós em razão de não saberdes as Escrituras nem o poder de Deus.” (Marcos 12:24). A linguagem da Bíblia deve ser explicada de acordo com o seu óbvio sentido, a menos que seja empregado um símbolo ou figura. Cristo fez a promessa: “Se alguém quiser fazer a vontade dEle, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus.” (João 7:17). Se os homens tão-somente tomassem a Bíblia como é, e não houvesse falsos ensinadores para transviar e confundir-lhes o espírito, realizar-se-ia uma obra que alegraria os anjos, e que traria para o redil de Cristo milhares de milhares que ora se acham a vaguear no erro.

Cumpre-nos exercer todas as faculdades do espírito no estudo das Escrituras, e aplicar o intelecto em compreender as profundas coisas de Deus, tanto quanto possam fazer os mortais; não devemos, contudo, nos esquecer de que a docilidade e submissão da criança é o verdadeiro espírito do aprendiz. As dificuldades encontradas nas Escrituras jamais podem ser dominadas pelos mesmos métodos que se empregam em se tratando de problemas filosóficos. Não nos devemos empenhar no estudo da Bíblia com aquela confiança em nós mesmos com que tantos penetram nos domínios da ciência, mas sim com devota dependência de Deus, e sincero desejo de saber a Sua vontade. Cheguemo-nos com espírito humilde e dócil para obter conhecimento do grande Eu Sou. De outro modo, anjos maus cegar-nos-ão o espírito, endurecendo-nos o coração para que não sejamos impressionados pela verdade.

Ellen G. White. O Grande Conflito, p. 597-599

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Deus endureceu o coração de faraó?

“Eu endurecerei o seu coração, para que não deixe ir o povo” (Êxodo 4:21).

Não houve o exercício de poder sobrenatural para endurecer o coração do rei. Deus deu a Faraó a mais notável prova do poder divino; mas o rei obstinadamente se recusou a atender à luz. Cada manifestação do poder infinito, por ele rejeitada, tornava-o mais resoluto em sua rebelião. As sementes de rebelião que semeara quando rejeitou o primeiro prodígio, produziram a sua colheita. Como ele continuasse a aventurar-se em sua conduta, indo de um grau de teimosia a outro, seu coração se tornou mais e mais endurecido, até que ele foi chamado para olhar o rosto frio e morto dos primogênitos.

Deus fala aos homens por meio de Seus servos, dando avisos e advertências, e repreendendo o pecado. Dá a cada um oportunidade para corrigir seus erros antes que eles se fixem no caráter; mas, se alguém recusa ser corrigido, o poder divino não intervém a fim de contrariar a tendência de sua ação. Essa pessoa acha mais fácil repetir a mesma conduta. Está a endurecer o coração contra a influência do Espírito Santo. Nova rejeição da luz a coloca onde uma influência muito mais forte será ineficaz para produzir uma impressão duradoura.

Aquele que cedeu uma vez à tentação, cederá mais facilmente segunda vez. Cada repetição do pecado diminui seu poder de resistência, cega os seus olhos, e suprime a convicção. Cada semente de condescendência, que é semeada, produzirá fruto. Deus não opera milagre para impedir a ceifa. “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7). Aquele que manifesta dura incredulidade, uma obstinada indiferença à verdade divina, não está senão a colher o fruto do que ele próprio semeou. É assim que multidões vêm a escutar, com rígida indiferença, verdades que outrora lhes abalavam a própria alma. Semearam negligência e resistência à verdade, e tal é a colheita que fazem.

Aqueles que estão a acalmar a consciência culpada, com o pensamento de que podem modificar um caminho de males quando o desejarem, de que podem ter em pouca conta os convites de misericórdia, e ser contudo repetidas vezes impressionados, seguem tal caminho com perigo para si. Acham que depois de lançarem toda a sua influência ao lado do grande rebelde, em momento de maior angústia, quando o perigo os rodeia, mudarão de chefes. Mas isto não se faz tão facilmente. A experiência, a educação, a disciplina de uma vida de satisfação pecaminosa, tão completamente modelaram o caráter que não podem então receber a imagem de Jesus. Se nenhuma luz lhes houvesse mostrado o caminho, o caso teria sido diferente. A misericórdia poderia interpor-se, e dar-lhes oportunidade de aceitar suas providências; mas, depois que durante muito tempo a luz foi rejeitada e desprezada, será enfim retirada.

Ellen G. White. Patriarcas e Profetas, p. 186-187


P.S.: É comum na escrita dos hebreus registrar Yahweh executando algo que Ele apenas permitiu acontecer.